sábado, 24 de setembro de 2011

A dificuldade em reconhecer o simples e nossa mania de o transmutar no complexo indecifrável



Há alguns anos assisti uma entrevista do Carlinhos Brow no programa "nossa língua portuguesa" onde ele afirmava que "intelectual é quem reconhece o óbvio".
Parece redundância, mas poucas pessoas conseguem ver com clareza o que esta em sua frente porque fica formulando várias hipóteses e tentando decifrar codificações onde não existe nada além do que foi dado/dito.
Um homem dizer que o outro homem é bonito ou esta bem arrumado não faz dele um homossexual, da mesma forma, que um comentário de mesma natureza vindo de uma mulher a outra não a faz lésbica – talvez a maior refração ao primeiro caso se faça porque a homofobia é muito mais presente em relação ao gênero masculino, eu disse “talvez”, é apenas algo da percepção no dia a dia e nunca li nenhum estudo sobre isso . Nessa mesma linha de raciocínio, dizer que uma mulher esta bonita não significa, necessariamente, que se esta flertando (ainda mais se ela trás consigo aquele "pneu prateado" - o dourado então nem se fala... - preso a mão).
Aprecio a beleza da existência e o que há de mais perfeito que a mulher? uma mulher bonita deve ser apreciada e valorizada como um Rembrant ou um Monet. Apreciar arte não faz de você um ladrão de arte, logo...
Diante de uma sociedade de interesses, onde tudo é sempre uma troca ou sempre “... tem mais", ser gentil ou educado com as pessoas é, paradoxalmente, estar suscetível a ser mal interpretado. 
Considerando que sempre nos colocamos no lugar do outro (se acaso estivéssemos naquela mesma situação) na hora de fazer uma análise valorativa de suas atitudes, a visão desconfiada da gentileza  deveria levar-nos a uma reflexão profunda sobre nossos valores e oo que temos cultivado em nós.
Tem horas que penso que me falta "filtro social" e em outras acho que acredito demasiadamente que todos são sensíveis para o óbvio: não há qualquer erro em demonstrar carinho por alguém que se tem afeto e nem em se ter afeto por várias pessoas e os objetivos diferentes da amizade são objeto de ações e momentos mais particulares.

"Amizade é um amor que nunca morre" e eu tenho facilidade em amar as pessoas assim e não me parece coerente ser de outra forma apenas porque a maioria não tem a mesma capacidade de empatia.
"Nunca é demais dizer eu te amo", mas a forma como eu te amo é que a grande questão.
Amizade, no grego Philos, é uma das faces do amor que somente é completo quando suas três formas coexistem: Eros (desejo), Philos (amizade) e Ágape (amor sobrenatural, além do físico) e este é o amor de Bonnie e clayde que todos procuramos encontrar e que nos fará desejar envelhecer do lado de alguém.
Ainda estou a procura do meu par perfeito, se a encontrar por aí, a minha procura, diga que pode me encontrar quase sempre por aqui...Perdido em minhas divagações. Neste meio tempo, manterei minha alegria com cada sorriso verdadeiro que conseguir fazer brotar no rosto daqueles que eu queira bem e seja recíproco.

O mundo ideal


" [...]E converterão as suas espadas em relhas de arado, e as suas lanças em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra. "

Faça essa ideia circular...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Para matar a saudade dos comunicados do Subcomandante Marcos

 

As Três Flores da Esperança - EZLN

“México, 18 de Maio de 1996.

À sociedade civil onde quer que se encontre.
Desculpe, senhora sociedade civil, que a distraia de suas múltiplas ocupações e reiteradas angústias. Escrevo-lhe apenas para dizer que aqui estamos, que continuamos sendo nós mesmos, que a resistência é ainda nossa bandeira e que ainda acreditamos na senhora. Aconteça o que acontecer, continuaremos acreditando. Porque a esperança, senhora de rosto difuso e nome gigante, já é um vício entre nós.

Vossa Excelência já sabe que o horizonte se cobre de um cinza que muda para o preto com a mesma celeridade com que andam vendendo nossa história. No entanto, fique sabendo que a liberdade continua estando à nossa frente, que continua sendo necessário lutar e que a história ainda está esperando quem complete suas páginas. Assim são as coisas, e receando que não nos vejamos de novo, aceite três definições muito apropriadas para dias tão nefastos como o que nos esperam:

Liberdade: Diz Durito que a liberdade é como o amanhecer. Alguns o esperam dormindo, mas outros acordam e caminha durante a noite para alcançá-lo. Eu digo que nós, zapatistas, somos viciados em insônia e deixamos a História desesperada.

Luta: O Velho Antônio dizia que a luta é como um círculo. Pode começar em qualquer ponto, mas nunca termina.

História: A História não passa de rabiscos escritos por homens e mulheres no solo do tempo. O poder traça o seu rabisco, elogia-o como escrita sublime e o adora como se fosse a única verdade. O medíocre limita-se a ler os rabiscos. O lutador passa o tempo todo preenchendo páginas. Os excluídos não sabem escrever… ainda.

Aceite, senhora, estas três flores. As outras quatro chegarão logo… se é que chegam. Tudo bem. Saúde e lembre-se que a sabedoria consiste na arte de descobrir, atrás da dor, a esperança.

Das montanhas do sudoeste mexicano,
Subcomandante insurgente Marcos.

EZLN e a Pedagogia da tolerância

"Há pensamentos diferentes e devemos respeita-los... Devemos falar com a verdade e decidir com o coração" . Esse é o pensamento com o qual eu gostaria que as crianças do mundo inteiro fossem ensinadas, para um dia serem os homens que irão resgatar a humanidade deste caminho sombrio de reificação do dinheiro, do poder e a coisificação do homem...

Reflexões Universitárias


Ontem na aula de Sociologia e filosofia do Direito o professor fez uma divagação: " 23 mil pessoas no mundo tem uma renda equivalente aos 3 bilhões mais pobres do planeta e isso é considerado normal; quando meia duzia de bancos quebram  soam o alarme que há uma crise sem precedentes e precisa ser contida...". A crise é apenas um instrumento ideológico para fazer o Estado, através dos nossos impostos, socorrer os especuladores, banqueiros e outros parasitas. E depois me perguntam porque eu chamo esse sistema políticoeconômico de CapEtalismo...
A concentração absurda de capital que existe historicamente e se avoluma a cada dia mais no Brasil, nem precisamos sair falando de um panorama global, onde 6 mil pessoas controlam 46% da renda nacional, nos faz pensar até quando ficaremos calados sob essa ditadura da minoria sustentada sob a falácia da democracia liberal.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011


Não há plenitude na individualidade apenas. E sim, acredito que esta sempre em nossas mãos construir a própria história, alterar o curso do destino e fazer a diferença, mas a vida seria um grande desperdício se não houvesse com quem dividir as alegrias, pedir orientação em meio as tempestades (interiores ou exteriores) ou rir de grandes apertos passados- o poder de rir de si mesmo é essencial e uma daquelas muitas coisas que só fazem sentido ou tem algo de mágico quando se faz com alguém que nos é caro.
Não estou falando só de relacionamentos amorosos tradicionais, mas também de manter laços diversos de amor com outras pessoas, sejam eles chamados de amizade, identidade coletiva ou altruísmo.
Parece o "óbvio ululante" - que eu defino como algo verde fluorescente com bolinhas lilás dançando ula-ula na avenida Paulista na hora do rush: impossível de não ser notado - mas, não estou falando de sexo, embora "eros" o desejo seja uma das possíveis traduções para a palavra amor em grego, falo de ter gente que é mais que número, mais que apenas um igual em termos de espécie biológica e que divida seu universo simbólico contigo, que, via de regra, é sempre mais vasto e complexo do que o físico.
Cada dia há mais pessoas com uma visão utilitarista do mundo e do outro, criando ou fortalecendo laços de conveniencia - sempre na perspectiva do que EU posso obter disso e não do NÓS.
Antes eu tinha um medo aterrador de mortes trágicas (afogamentos, ser queimado vivo...) hoje tenho medo é dessa forma de morte em vida, como uma condenação ao tártaro em carne e sangue: ser mais um desses que caminham mortos ao meu lado: não creem em nada, não amam a ninguém além de si mesmo e levam uma vida vazia de significados, ainda que as máscaras digam outra coisa.

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Apenas um homem que ainda acredita em "happy end"; que acredita que mesmo com todos os problemas que encontramos hoje, amanhã será bem melhor e poderemos alcançar nossos objetivos, embora, talvez, demore mais para uns do que para outros.

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